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Despesas no IRS: O Que Pode Deduzir e Como Poupar Dinheiro

Ana Canteiro Peres 13 de April, 2026 4 min de leitura
Despesas no IRS: O Que Pode Deduzir e Como Poupar Dinheiro

As deduções à coleta no IRS são uma das principais formas de reduzir o imposto a pagar em Portugal, mas muitos contribuintes não aproveitam todas as possibilidades disponíveis. Ao longo do ano, acumulam-se despesas que podem traduzir-se em reembolsos significativos — mas apenas quando estão devidamente validadas e classificadas no sistema.

Que despesas são dedutíveis

De acordo com a Autoridade Tributária, as principais categorias de despesas dedutíveis no IRS incluem saúde, educação, habitação, lares e despesas gerais familiares. Cada uma destas categorias tem limites e regras específicas, mas em conjunto podem representar uma redução significativa no imposto a pagar.

As despesas com saúde abrangem consultas, medicamentos e tratamentos; as de educação incluem propinas, livros escolares e outros encargos letivos; as de habitação cobrem rendas, juros de crédito à habitação contraído antes de 2011 e reabilitação de imóveis. Também despesas com lares, IVA suportado em determinados setores e pensões de alimentos entram no cálculo final.

O papel do e-Fatura

As despesas são automaticamente comunicadas à Autoridade Tributária através do sistema e-Fatura, onde os contribuintes devem validar e classificar as suas faturas ao longo do ano. O sistema é útil, mas não é infalível: muitas faturas chegam sem classificação correta ou não chegam de todo, exigindo intervenção manual por parte do contribuinte.

Muitas pessoas esquecem-se de pedir fatura com número de contribuinte em várias situações do dia-a-dia — restaurantes, oficinas, serviços pessoais — perdendo assim potenciais deduções. É um hábito que pode parecer pouco relevante numa despesa individual, mas que, multiplicado ao longo de centenas de compras anuais, faz uma diferença real.

Pequenas despesas, grande impacto

É importante compreender que mesmo pequenas despesas podem ter impacto no valor final do IRS, sobretudo quando acumuladas ao longo do ano. Uma fatura de 20 euros hoje e outra de 30 euros amanhã tornam-se facilmente centenas de euros ao fim de 12 meses.

A correta validação das faturas no e-Fatura — ao longo do ano, não à pressa em maio — é essencial para garantir que todas as despesas são consideradas no cálculo do imposto. Deixar esta tarefa para a última hora é um dos erros mais comuns no IRS e costuma traduzir-se em reembolsos menores.

Quando pedir ajuda profissional

Para quem pretende maximizar o reembolso ou reduzir o valor a pagar, o acompanhamento de um contabilista pode ser uma mais-valia, ajudando a identificar oportunidades de poupança que muitas vezes passam despercebidas — sobretudo em situações com rendimentos de várias fontes, alteração de agregado familiar ou despesas específicas que exigem interpretação caso a caso. Não se esqueça também de conhecer os prazos do IRS em 2026 para garantir que nada é submetido fora do tempo certo.

Ana Canteiro Peres
Ana Canteiro Peres
Contabilista Certificada